A distinção que resolve quase tudo
Se os monos são seus, não os ponha na rua à espera que alguém os leve. Marque a recolha: na esmagadora maioria dos concelhos portugueses é um serviço gratuito da câmara municipal ou da junta de freguesia, feito à porta, mediante marcação prévia.
Se os monos não são seus e apareceram na via pública, não há nada para marcar: é uma ocorrência para comunicar. A câmara não sabe que aquilo está ali até alguém dizer.
Quase todo o móvel abandonado que fica semanas no passeio está num destes dois falhanços: alguém pô-lo lá sem marcar, ou está lá há dias e ninguém comunicou.
O que conta como mono
Monos, ou "monstros", conforme a região, são objetos volumosos de uso doméstico que já não servem e que não cabem no contentor.
- Mobiliário: sofás, colchões, camas, mesas, cadeiras, armários
- Eletrodomésticos: frigoríficos, máquinas, fogões, esquentadores
- Objetos volumosos diversos: tapetes, estrados, bicicletas
- Em alguns concelhos, resíduos verdes (ramos e podas), mas nem sempre pela mesma via
O que normalmente NÃO conta
É aqui que a marcação costuma ser recusada, e convém saber antes de descer o sofá.
- Entulho de obra: tijolo, azulejo, cimento, loiça sanitária. São RCD e seguem um circuito próprio; deixá-los na via pública é, à face da lei, uma contraordenação ambiental muito grave
- Resíduos perigosos: tintas, solventes, óleos, amianto/fibrocimento
- Grandes quantidades de origem comercial: um serviço doméstico gratuito não cobre o esvaziamento de uma loja ou de um escritório
Como marcar
O canal varia por concelho, e é isso que torna a pesquisa frustrante. O padrão é quase sempre o mesmo: telefone ou formulário da autarquia, marcação com alguns dias de antecedência, e indicação para deixar os objetos no exterior apenas na véspera ou na própria manhã.
Em Lisboa, a recolha é gratuita e por marcação através da linha 800 910 211 (das 8h às 20h, de segunda a sábado, conforme indicado pela Junta de Freguesia do Lumiar), e pode também ser pedida através da aplicação municipal Na Minha Rua Lx.
Fora de Lisboa, procure "recolha de monos" mais o nome do seu concelho, ou ligue diretamente para a câmara ou para a junta. Não publicamos aqui uma lista nacional de contactos de propósito: estes números mudam, e uma lista desatualizada manda as pessoas para o sítio errado com ar de autoridade.
Antes de descer o que quer que seja
- Marque primeiro. Um mono na rua sem marcação pode ficar lá semanas e, em muitos concelhos, constitui deposição indevida
- Deixe no local que a autarquia indicar, na véspera ou na manhã da recolha
- Não bloqueie o passeio: um sofá no meio do passeio obriga quem anda de cadeira de rodas ou com carrinho de bebé a descer para a estrada
- Frigoríficos e ar condicionado contêm gases refrigerantes: nunca os desmonte
Se o mono não é seu
Comunique. À sua câmara ou junta pelo canal habitual, e, se quiser que fique registado e visível, no CleanSpot, onde a ocorrência ganha fotografia, data e coordenadas num mapa público.
Faz sentido por uma razão concreta: os sítios onde se deixam monos repetem-se. É quase sempre a mesma esquina, o mesmo terreno, o mesmo topo de rua. Um local com histórico documentado de reincidência é um argumento muito mais forte junto da autarquia, para colocar um contentor, mudar a frequência de recolha ou sinalizar, do que uma queixa isolada de cada vez que acontece.
Fontes
A recolha de monos é mesmo gratuita?
Na generalidade dos concelhos portugueses sim, para uso doméstico e mediante marcação. Confirme com a sua autarquia: as condições e eventuais limites de quantidade variam.
Posso simplesmente deixar o sofá ao lado do contentor?
Não é boa ideia. Sem marcação pode ficar ali muito tempo, e em muitos concelhos a deposição indevida de volumosos na via pública é passível de coima ao abrigo do regulamento municipal.
E se for entulho de obra?
Não é mono. Os resíduos de construção e demolição têm circuito próprio, normalmente um ecocentro ou um operador licenciado. Abandoná-los em local não autorizado está classificado como contraordenação ambiental muito grave no Regime Geral da Gestão de Resíduos.
Quanto tempo demora?
Depende do concelho e da época, e costuma ser mais lento em mudanças de casa e no fim do verão. A marcação é que fixa a data; deixar o objeto na rua antes disso não acelera nada.