Onde Almada está à frente
Uma coisa que é genuinamente invulgar: a câmara publica, na sua página de transparência, o número de ocorrências comunicadas por mês, o número de ocorrências terminadas por mês e a distribuição anual por tipologia.
Publicar as concluídas e não apenas as recebidas é a parte difícil, porque expõe o desempenho e não só a procura. É mais transparência operacional do que a maioria das autarquias oferece, e mais do que o CleanSpot publica hoje sobre qualquer câmara em concreto.
A aplicação é da própria Câmara Municipal de Almada, funciona desde janeiro de 2017, é gratuita e cobre limpeza urbana, manutenção do espaço público, animais, iluminação pública, espaços verdes, proteção civil, parques infantis e trânsito.
O formulário pede o número de contribuinte
Para comunicar uma ocorrência pelo Almada Mais Perto é preciso preencher nome, e-mail, número de contribuinte e número de telefone, além da morada ou do ponto no mapa, da fotografia e da descrição.
Isto é uma escolha defensável para uma autarquia: identifica o munícipe e permite responder formalmente ao processo. Mas é uma troca, e é a troca que decide quantas pessoas chegam ao fim do formulário. Comunicar um saco de lixo abandonado passa a exigir que se lembre do NIF, parado no passeio, com o telemóvel numa mão.
No CleanSpot reportar é uma fotografia, um ponto e enviar. Não pedimos NIF nem número de telefone. Precisa de conta para publicar, porque os relatos são atribuídos e é isso que mantém o mapa credível, mas isso é uma vez e não a cada ocorrência.
Canal oficial é um estado, não uma capacidade
Vale a pena separar duas coisas que costumam aparecer juntas. Encaminhar um relato para dentro do fluxo de trabalho de uma autarquia não é algo que o CleanSpot não saiba fazer: o painel municipal do CleanSpot tem bandeja de triagem por território, atribuição a brigadas próprias ou a empresas externas, seguimento até ao fecho, analítica e relatórios por email configuráveis, com a cadência que a câmara quiser.
A diferença não é técnica, é de adesão. Esta autarquia adotou a sua aplicação; onde uma câmara subscreve o CleanSpot, os relatos entram no mesmo tipo de circuito.
E a adesão corta para os dois lados. Uma aplicação municipal existe apenas onde foi comprada e configurada. O CleanSpot funciona também em todos os concelhos onde não foi adotado nada, que são a maioria.
A diferença estrutural: um concelho
O Almada Mais Perto cobre Almada. Não é uma crítica, é a definição da categoria: são aplicações municipais, feitas por um município para o seu território.
O efeito prático é que a aplicação deixa de servir do outro lado da ponte, ou em Seixal, ou no Barreiro, e que quem vive num concelho sem aplicação nunca teve canal. Para cobrir a margem sul precisaria de várias aplicações diferentes.
O CleanSpot determina o concelho e a freguesia automaticamente a partir das coordenadas do ponto, contra as fronteiras administrativas reais. A mesma aplicação serve em Almada, em Sintra e em Bragança, e cada ocorrência fica encaminhada para o território correto sem o utilizador escolher nada.
Comunicar à câmara, ou registar em público
Numa aplicação municipal a ocorrência é um processo entre si e os serviços. No CleanSpot é um ponto num mapa público desde o início: os vizinhos veem-no, confirmam-no, acrescentam fotografias e podem oferecer-se para limpar.
Essa é a diferença que interessa quando ninguém aparece. Num canal municipal, a alternativa ao silêncio é insistir. Numa rede, a alternativa é alguém agir, sozinho ou num evento de limpeza combinado com o grupo.
O que o CleanSpot acrescenta
- Mapa público com data, fotografia e coordenadas de tudo o que foi reportado
- Limpezas e eventos de grupo, com convites, confirmações e resumo partilhado no fim
- Grupos, comentários e mensagens entre vizinhos
- IA de visão que sugere gravidade e etiquetas a partir da fotografia
- Deteção de duplicados a poucos metros, para não fragmentar a prova
- Histórico de reincidência por local, que é o argumento para um contentor novo ou outra frequência de recolha
- Funciona sem rede e envia quando houver ligação
- Sem publicidade, dados alojados na UE, exportáveis e apagáveis pelo próprio
- 30 idiomas
Usar os dois é a resposta honesta
Se o problema é da competência da câmara e está em Almada, o canal oficial é o caminho mais curto até quem tem de o resolver, e a câmara mostra publicamente quantas ocorrências fecha.
O CleanSpot cobre o que fica de fora: o lixo que a comunidade resolve sozinha, o registo público datado que serve de prova quando um sítio é reincidente, e todo o território onde aquela aplicação não chega.
Fontes
É mesmo obrigatório dar o NIF no Almada Mais Perto?
Segundo a página da Câmara Municipal de Almada, os dados obrigatórios são nome, e-mail, número de contribuinte e número de contacto telefónico. O CleanSpot não pede número de contribuinte nem telefone.
O Almada Mais Perto funciona noutros concelhos?
Não. É a aplicação da Câmara Municipal de Almada para o concelho de Almada. O CleanSpot funciona em qualquer lado e determina concelho e freguesia a partir das coordenadas.
Devo deixar de usar o Almada Mais Perto?
Não. Para um problema que é da autarquia, é o caminho oficial, e Almada é das poucas câmaras que publica quantas ocorrências termina por mês. Use os dois.
O CleanSpot mostra quantas ocorrências foram resolvidas?
Cada relato mostra publicamente o seu próprio ciclo, aberto, em limpeza, limpo, com fotografias de antes e depois. Não publicamos hoje um relatório mensal por câmara como Almada faz; onde a autarquia é cliente, esses números existem no painel municipal.