Porque é que ainda está ali
Quase sempre por uma de duas razões, e nenhuma é a que se assume.
Ou quem o pôs na rua nunca marcou recolha: deixou-o à espera que o circuito do lixo o levasse, e o circuito do lixo não leva volumosos. Ou foi marcada e está a aguardar uma data que ainda não chegou.
O que quase nunca é: a câmara a recusar-se a atuar. Ninguém na autarquia sabe que o objeto está ali até alguém o dizer, e uma equipa de recolha passar por ele todas as manhãs não é o mesmo que uma comunicação chegar ao serviço que trata de monos.
Colchões: os piores
O colchão é o objeto com maior probabilidade de ficar semanas, e a razão é física. Absorve água da chuva, ganha muito peso, e passa rapidamente de problema estético a problema de higiene e de infestação.
Também não entra num contentor de indiferenciado por via nenhuma razoável, e não compacta, e um colchão sozinho bloqueia um ponto de recolha para todo o resto.
Comunique cedo em vez de esperar para ver se desaparece. Um colchão seco é uma recolha simples; encharcado é outro trabalho.
Sofás e estofos
O mesmo problema da água, mais um de carga de incêndio: a espuma dos estofos é tratada, e um sofá abandonado numa entrada ou encostado a um edifício é um risco real de incêndio, não uma objeção esteticista.
Se um sofá ou poltrona estiver encostado a um edifício, a bloquear uma saída, ou num espaço fechado, diga-o expressamente na comunicação. Isso transforma uma questão de asseio numa questão de segurança, e a segurança é agendada de outra maneira.
Frigoríficos, arcas e ar condicionado: não tocar
Estes são resíduos elétricos (REEE), não mobiliário volumoso, e trazem dois perigos específicos.
Contêm gases refrigerantes que têm de ser extraídos por operador licenciado, pelo que não devem ser desmantelados nem desmontados para peças. E um frigorífico abandonado com a porta ainda montada é um risco de aprisionamento de crianças. É exatamente por isso que não devem ficar na via pública e que justificam comunicação rápida.
Nunca retire a porta, nunca o mova para um pátio "para não estar à vista", e nunca deixe que se torne objeto de brincadeira. Comunique, indique que é um equipamento de refrigeração, e mantenha-se afastado.
Televisores, monitores e pequenos aparelhos
Também são REEE, não monos, e seguem um circuito diferente do de um sofá. Ecrãs partidos acrescentam vidro cortante ao problema.
Convém saber uma coisa, porque explica por que razão são abandonados: livrar-se destes é normalmente gratuito. Comprar um novo obriga o vendedor a levar o antigo, e pequenos aparelhos podem ser entregues em lojas grandes sem comprar nada. As pessoas abandonam televisores por assumirem que a eliminação custa dinheiro.
O que NÃO fazer
- Não o mova. Arrastar um colchão para a esquina seguinte torna-o comunicação de outra pessoa e reinicia a contagem
- Não acrescente nada. Um sofá abandonado atrai um segundo objeto em poucos dias: é um efeito bem conhecido e é por isso que a remoção rápida importa mais do que parece
- Não desmonte eletrodomésticos para peças ou sucata. Além da questão dos gases, um aparelho desmantelado deixa de poder seguir o circuito normal de tratamento
- Não assuma que já alguém comunicou. É o que quase toda a gente assume, e é por isso que os objetos ficam semanas
O que uma boa comunicação contém
- O que o objeto é: "colchão", "frigorífico", "televisor". É o tipo de objeto que determina que serviço o recolhe
- Localização exata, e se está a bloquear passeio, entrada ou lugar de estacionamento
- Há quanto tempo está ali, e se entretanto apareceram mais objetos
- Fotografia que mostre o objeto e envolvente suficiente para o localizar
- Qualquer perigo: equipamento de refrigeração, vidro partido, saída bloqueada, acesso de crianças
Quando é sempre a mesma esquina
Os pontos de deposição repetem-se, e repetem-se por razões estruturais: ecocentro longe, zona com muita rotatividade de inquilinos, ponto de recolha acessível de carro e sem vigilância à noite.
Uma comunicação retira um objeto. Um local com histórico datado e fotografado de deposição repetida é outro argumento: para sinalética, para um ponto de entrega mais próximo, ou para mudar a forma como o serviço de recolha é comunicado localmente. Reabrir o mesmo ponto no CleanSpot constrói esse registo sem ninguém ter de manter uma folha de cálculo.
Fontes
O objeto é meu. Como me livro dele?
Marque recolha na sua autarquia. Na maioria dos concelhos portugueses é gratuita, à porta e por marcação; o nosso guia da recolha de monos explica como funciona e o que conta.
Posso simplesmente pôr o sofá na rua e esperar?
Não. Sem marcação pode ficar semanas, e em muitos concelhos deixar volumosos na via pública é deposição indevida, passível de coima ao abrigo do regulamento municipal.
Quem retira um frigorífico abandonado?
É resíduo elétrico, pelo que segue o circuito REEE e não a recolha de monos comum. Comunique à autarquia indicando que é um equipamento de refrigeração, e não o desmantele nem retire a porta.
Vale a pena comunicar se só está ali há um dia?
Vale. Comunicações precoces são mais baratas de resolver, e um objeto abandonado atrai outros em poucos dias. Esperar para ver se desaparece é como um colchão se torna um monte.